quinta-feira, 25 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
GOLPE DA IMPRENSA!
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
O Lixo Por Trás da CPI dos Grampos! Porque Não Aparece Essas Histórias na "Grande" Mídia?

PROCURADOR-GERAL NÃO COMPRA “ESTADO DE DIREITA” DE MENDES
Leia a seguir o último parágrafo de uma reportagem do jornal Valor feita em agosto de 2008. Sobre o papel corajoso do procurador-geral Antônio Fernando de Souza no debate do Estadão, em que se tornou difícil distinguir o Supremo Presidente do Ministro Abelardo Jurema. Nem tudo está perdido:
Chefe maior do Ministério Público brasileiro, Antonio Fernando se contrapôs a ambos: "Não creio que seja apenas a mudança de uma lei que vá alterar a situação existente, até porque não conheço a existência de enormes desvios. Há casos pontuais, seja no Ministério Público, seja no Judiciário, seja em outras instâncias, que estão sendo apurados". E completou: "Não se pode, a pretexto de enfrentar um desvio pontual, querer obstacularizar ou imunizar determinadas instituições. Se houver essa iniciativa e se ela se concretizar, que seja para preservar a capacidade e as garantias das instituições predispostas à investigação". Sobre os vazamentos, Antonio Fernando disse que integrantes de diversas instituições -Ministério Público, Polícia Federal, Judiciário e advogados- têm acesso a dados sigilosos. "Há dificuldade de verificar a autoria dos vazamentos. Precisaria de um critério para selecionar quem manuseia os dados". Questionado se havia descontrole das ações policiais, finalizou: "O MP não concorda".

O DEPUTADO MARCELO ITAGIBA TENTA MANIPULAR A RELAÇÃO DE TODOS OS GRAMPEADOS - POR ORDEM JUDICIAL - NO BRASIL.
. O deputado Marcelo Itagiba preside a CPI do Grampo.
. A CPI do Grampo é uma extensão do Supremo Presidente Gilmar Mendes.
. A CPI do Grampo nasceu para limitar o uso do grampo pela Polícia Federal.
. E, no limite, impedir que rico branco seja grampeado.
. Quem é Marcelo Itagiba, esse obscuro deputado pelo Rio de Janeiro ?
. Um delegado da Polícia Federal, que participou ativamente da Operação Lunus, montada na Polícia Federal, no Governo do Farol de Alexandria, para desconstruir a candidatura de Roseana Sarney.
. Marcelo Itagiba era o chefão da PF no Rio, quando o Farol, Serra e Daniel Dantas – este é a contra-face dos outros – mandaram transferir para a Ilha do Diabo o delegado Deuler Rocha, que investigava uma das primeiras (conhecidas) falcatruas de Dantas.
. A função da CPI do Grampo é fazer o que o Supremo Presidente quer: manter branco rico fora da cadeia.
. Se Marcelo Itagiba puser a mão na lista dos que foram grampeados por ordem judicial vai ser uma festa para o “Estado de Direita”.
. O Ministro Peluso, com a decisão, faz renascer a tênue esperança de que o Golpe de Estado do Presidente Supremo Gilmar Mendes possa merecer alguma resistência no próprio Supremo.
. Será que o Supremo Presidente vai conseguir que o Supremo Tribunal Federal se curve a seus pés, como fizeram o Governo do Presidente que tem medo, o Presidente Lula, e o Legislativo ?

FHC CONFIRMA: iFHC APLICA COM DANTAS
O assessor de imprensa do iFHC, Carlos Magno, respondeu ao Conversa Afiada:
“jocosta” é o endereço eletrônico José de Oliveira Costa, diretor do iFHC e é a pessoa responsável por essas aplicações (extratos e documentos) em fundos diferentes.
O iFHC aplica em dez fundos diferentes. Todos os investimentos começaram a ser feitos a partir de 2004. O iFHC não aplica seus recursos em paraísos fiscais.
Em tempo: Como é que o Instituto de Fernando Henrique Cardoso sabe se o dinheiro foi ou não para paraísos fiscais – ou o tesoureiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso ignora que “dinheiro não tem carimbo" ? (PHA)
. Um leitor atento do Conversa Afiada localizou em duas das 7000 páginas do relatório do ínclito delegado Protógenes Queiroz uma informação relevante.
. O Instituto Fernando Henrique Cardoso aplicou dinheiro no “Banco” Opportunity, do quadrilheiro Daniel Dantas.
. E não foi pouco: o saldo na conta era de R$ 2,8 milhões, em 2 de maio de 2008, ou seja, três meses atrás.
. Amanhã, segunda-feira, dia 4 de agosto, o Conversa Afiada vai procurar “jocosta”, que, no Instituto Fernando Henrique Cardoso, recebeu o extrato da conta do Instituto no “Banco” de Dantas.
. O Conversa Afiada gostaria de saber se o Instituto Fernando Henrique Cardoso aplicou em contas do Opportunity em paraísos fiscais, nas Bahamas, Cayman e Montevidéu (*).
. Se for assim, a Polícia Federal tem que pedir um mandado judicial para ir lá fechar o Instituto.
. O interessante é que, neste domingo mesmo, o Farol de Alexandria escreve um texto (em estilo de exemplar elegância) para tentar se livrar do cadáver de Daniel Dantas.
(*) O Conversa Afiada encaminhou a pergunta nesta segunda-feira, dia 04, à assessora de imprensa do iFHC Roberta Vigano. Aguardamos resposta.
fonte: PAULO HENRIQUE AMORIM: Conversa Afiada.
domingo, 10 de agosto de 2008
TRUQUES PARA ABASTECER SEU CARRO E GANHAR RENDIMENTO DE COMBUSTÍVEL NO TANQUE!

O autor dessa dica é Engenheiro Químico e trabalha a mais de 30 anos em refinarias de combustível. Seu nome será ocultado a pedido do mesmo.
1 - Encher o tanque pela manhã (cedo).
A temperatura ambiente e a do solo estão mais baixas nesse horário.
Todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo da terra e estando a terra mais fria, a densidade da gasolina ou do diesel é menor. O contrário se passa durante o dia, quando a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se. Por isso, se você encher o tanque ao meio-dia, à tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exatamente. Na indústria petrolífera, a gravidade específica e a temperatura do solo têm um papel muito importante. Onde eu trabalho cada carregamento de combustível é cuidadosamente controlado no que diz respeito à temperatura para que a cada litro vertido na cisterna do caminhão seja exato.
2 - Quando encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo, caso seja você que esteja abastecendo seu carro.
Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta. Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao fluir mais lentamente, cria-se menos vapor, e a maior parte do combustível vertido converte-se numa quantidade eficaz. Todas as mangueiras surtidoras devolvem o vapor ao tanque. Se encher o tanque apertando a pistola ao máximo, uma grande porcentagem do precioso líquido que entra no depósito transforma-se em vapor e volta, através da mangueira do surtidor, ao depósito de combustível do posto de serviço. Dessa forma, obtém-se menos combustível pelo mesmo dinheiro.
3 - Encher o tanque do carro antes que o marcador de combustível fique abaixo da metade.
Quanto mais combustível houver no tanque, menos ar há lá dentro. O combustível evapora-se mais rapidamente do que você imagina. Os grandes depósitos e cisternas das refinarias têm tetos flotantes no interior, para separar o ar do combustível com o objetivo de manter a evaporação no mínimo possível.
4 - Não encher o tanque quando o posto estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois.
Se você chegar ao posto de serviço e vir um caminhão cisterna abastecendo os tanques subterrâneos, ou que tenha acabado de reabastecê-los, evite abastecer seu carro nesse momento, pois os sedimentos existentes no fundo do reservatório são movimentados na operação e, fatalmente, irão para o seu veículo, que receberá um combustível sujo.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Logística leva fábrica da Toyota para São Paulo

Uma semana após executivos da Toyota visitarem o estado, uma nova informação que circulou no mercado ontem jogou um balde de água fria na pretensão do Paraná de servir de sede para a nova fábrica da montadora japonesa no Brasil. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a Toyota escolheu São Paulo para instalar sua nova unidade, que deverá absorver até US$ 1 bilhão em investimentos, que incluirá uma linha de automóveis pequenos, com potencial para 200 mil veículos por ano, e outra de motores. De acordo com a publicação, a facilidade de acesso ao parque de fornecedores de autopeças em São Paulo, onde a montadora já possui uma fábrica – localizada em Indaiatuba – teria pesado na decisão.
Procurada, a Toyota afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não escolheu o local para a nova fábrica, mas confirma que a logística, a proximidade dos fornecedores de componentes e a economia regional serão prioridades na definição.
A empresa também nega que os representantes que vieram ao Paraná na semana passada – incluindo o executivo técnico sênior, Hiroyuki Watanabe – teriam intenção de avaliar áreas para a instalação da nova fábrica. O objetivo da visita seria o de “conhecer a infra-estrutura de transporte urbano” de Curitiba. O secretário de Indústria e Comércio do Paraná, Virgílio Moreira Filho, que estava na Argentina, disse ontem que desconhece a decisão da montadora.
Cotado para receber o projeto, o município de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, teria tropeçado também no fato de que a área cobiçada pela Toyota tinha limitações ambientais. O terreno estava enquadrado como área para futura captação de água pela Sanepar. Para atrair o projeto, no entanto, o governo optou por descaracterizar aquela área como manancial.“Fizemos tudo que podíamos”, disse Moreira Filho.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Historical abbreviation: The vision of "The Economist" magazine on Brazil

The political scene will be increasingly dominated by preparations for the October 2008 municipal elections and early campaigning for the 2010 presidential ballot. This will further dim prospects for the advance of the reform agenda. A fiscal reform submitted at end-February could face delays until 2009, and little else in the way of reform seems likely in 2009. The ruling coalition will weaken ahead of municipal elections in October 2008. The race for the presidential election in 2010 is open. Given his record level of popularity, the president, Luiz Inacio Lula da Silva of the leftist Partido dos Trabalhadores (PT), will be influential behind the scenes. Regardless of who wins the next presidential ballot, the transition will be peaceful and will further consolidate democracy. Prudent macroeconomic policies should be maintained.
Brazil’s economy is forecast to grow by an annual average of 4.1% in 2008-12, slightly below the average of 4.4% for 2004-07, but much stronger than its long-term average of only 2.2%. Domestic demand, and in particular investment, will make a much stronger contribution to growth than in the past, supported by deepening domestic financial markets. The Economist Intelligence Unit assumes that inflation will be contained below 4% in the medium term, notwithstanding stronger pressures in 2008-09. But the risk to this forecast has increased amid growing inflationary pressures stemming from higher commodity prices. The trade surplus will be eroded as domestic demand growth draws in imports, and the current-account is expected to record a small deficit in 2008-12. However, amid continued stability and widening investment opportunities, capital inflows will remain firm and the Real will depreciate only modestly in 2008-12.
Brazil is Latin America’s largest market, the world’s fifth-most populous country and the world’s tenth-largest economy. GDP growth will be sufficient to allow real incomes to rise in the forecast period, albeit at a more moderate pace than in 2005-07. Disinflation and income support programmes for the poorest families have contributed to a significant reduction in poverty rates and income inequality in recent years, but Brazil will remain one of the world’s most unequal societies during the forecast period.
Modest improvements to Brazil’s business environment, mainly driven by the consolidation of macroeconomic stability and better domestic financing conditions, will keep the country’s position broadly stable in our global and regional rankings. But the tax system will remain complex and burdensome, the pension system will weigh on public-sector finances and vested interests will continue to distort productivity gains.
source: © The Economist Newspaper Limited 2008.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Batman seria possível na vida real !

Entrevista com o Neurocientista e especialista em artes marciais J.R. MINKEL.
O mesmo propõe parâmetros para virar super-herói.
Treinamento de mais de dez anos e carreira de apenas três seriam necessários.
De todos os super-heróis, Batman é o mais terrestre. Não tem superpoderes oriundos de um mundo distante e tampouco foi mordido por uma aranha radioativa. Tudo o que o protege do Coringa e outros vilões de Gotham City é sua inteligência e um físico moldado por anos de treinamento – combinados a uma vasta fortuna para alcançar seu potencial máximo e equipá-lo com Batmóveis, Batcabos e outros Bat-apetrechos, é claro.
No blockbuster de 2005 "Batman Begins", o vingativo Bruce Wayne (interpretado por Christian Bale) afia seus instintos assassinos nas ruas por sete anos antes de se jogar numa prisão butanesa e se envolver com a misteriosa Liga das Sombras, que o ensina o caminho do ninja.
Para investigar se alguém como Bruce Wayne poderia fisicamente se transformar em uma devastadora gangue de um homem só, procuramos E. Paul Zehr, professor associado de cinesiologia e neurociência na Universidade Vitória, na Columbia Britânica (Canadá), e praticante de Chito-Ryu karate-do há 26 anos. O livro de Zehr, “Becoming Batman: The Possibility of a Superhero” ("Tornando-se Batman: A Possibilidade de um Super-Herói), da The Johns Hopkins University Press, com lançamento previsto para outubro, trata exatamente da nossa questão. Segue uma transcrição editada da conversa.
Scientific American: O que os gibis e filmes nos contam a respeito das habilidades físicas de Batman?
E. Paul Zehr: Há uma citação de Neal Adams, um grande desenhista de Batman, que diz que o Homem-Morcego venceria ou poderia participar de todas as competições das Olimpíadas. Se eu fosse seu treinador, provavelmente o colocaria no decatlo. Embora Batman seja mostrado nos gibis como o mais forte e o mais rápido e todas essas outras coisas, na verdade não é possível ser tudo isso de uma só vez. Para ser Batman corretamente, o que você realmente precisa é ser excepcionalmente bom em muitas coisas diferentes. É quando você junta todos os pedaços que você tem o Batman.
Sciam: O que é mais plausível na caracterização das habilidades de Batman?
Zehr: Você poderia treinar alguém para ser um fabuloso atleta e ter uma experiência significativa em artes marciais, e também para usar alguns de seus equipamentos, que exigem uma grande proeza física. A maior parte do que você vê ali é viável no nível de que alguém poderia ser treinado àquele extremo. Veremos esse tipo de coisa em menos de um mês, nas Olimpíadas.
Sciam: O que é menos realista?
Zehr: Um ótimo exemplo está nos filmes, quando Batman luta contra múltiplos oponentes e de repente está enfrentando dez pessoas. Se você apenas estimar a rapidez com que alguém pode socar e chutar, e quantas vezes você pode atingir uma pessoa por segundo, chega-se a números como cinco ou seis. Isso não significa que você conseguiria lutar com cinco ou seis pessoas. Mas também é difícil para quatro ou cinco pessoas atacarem alguém simultaneamente, por ficarem no caminho uns dos outros. Mais realista seria haver dois agressores.
Sciam: Por quanto tempo Bruce Wayne teria de treinar para se tornar Batman?
Zehr: Em algumas das linhas do tempo vistas nos gibis, a história é que ele fica fora por cinco anos – algumas vezes são de três a cinco anos, ou oito anos, ou doze. Em termos das mudanças físicas (força e condicionamento), isso está acontecendo bem rapidamente. Estamos falando de três a cinco anos. Considerando as habilidades físicas necessárias para se defender de todos esses oponentes o tempo todo, eu diria de 10 a 12 anos. Provavelmente a representação mais realista de Batman e seu treinamento está em "Batman Begins".
Sciam: Por que um tempo de treinamento tão longo?
Zehr: Batman realmente não pode se dar ao luxo de perder. Perder significaria a morte – ou pelo menos a impossibilidade de ser Batman novamente. Mas outro ponto importante seria ter habilidades suficientes para se defender sem matar ninguém. Porque isso faz parte de seus princípios. Seria muito mais fácil lutar contra alguém se você pudesse incapacitá-lo com força extrema. Atingir alguém na garganta poderia ser um golpe letal. Isso é bem fácil de fazer.
Mas se você está pensando em algo que não resulte em força letal, isso é mais delicado. Ser tão bom, lutar sem ferir ninguém de forma letal, exige um nível extremamente alto de habilidade que levaria talvez de 15 a 18 anos para ser acumulado.

Sciam: De onde vem o número de 15 a 18 anos?
Zehr: Vem do meu próprio treinamento em artes marciais e do aprendizado de quanto tempo uma pessoa leva para responder a situações simples – sem falar nas complexidades de bombas de fumaça explodindo e pessoas usando grandes Bat-trajes. Não importa quanto treinamento você tenha, quando estamos sujeitos a uma grande quantidade de stress psicológico, cometemos muito mais erros.
A polícia fala nisso quando utiliza o chamado treinamento baseado na realidade. Levam-se anos e anos e anos para se ter a segurança de ser capaz de agir quando alguém está atacando você de verdade.
Sciam: O que é um regime de treinamento realista?
Zehr: Eu não coloquei um manual de treinamento no meu livro, mas seria interessante fazer um treinamento de pesos especializado para desenvolver a habilidade de trabalhar em uma intensidade muito alta durante talvez de 30 segundos a um minuto (o período máximo de tempo associado com suas lutas).
Um dos primeiros gibis o mostra levantando um peso enorme acima de sua cabeça. Esse não é o tipo correto de adaptação para socar e chutar. Ele precisa se assegurar de que esteja usando todas as habilidades treinadas ao mesmo tempo, para que realmente utilize as adaptações (físicas) lentamente obtidas. Nas artes marciais convencionais, quando pessoas recebem treinamento com armas, trata-se de um tipo de treinamento de poder e força.
Sciam: Que efeitos todo esse treinamento teria no corpo de Bruce Wayne?
Zehr: Pesquisei o que a DC Comics e alguns outros livros dizem (sobre o físico de Batman). Assumi a estimativa de que Bruce Wayne começou com aproximadamente 1,90m e 84 quilos. Dei-lhe 20% de gordura corporal (levemente abaixo da média) e um índice de massa corporal de 26. Digamos que depois de 10 ou 15 anos, depois de transformado em Batman, ele pese cerca de 95 quilos com 10% de gordura corporal. Ele provavelmente ganhou mais de 20 quilos de músculos. Seus ossos realmente seriam mais densos, o oposto da osteoporose.
Sciam: Estamos falando de ossos densos de uma forma fora do comum?
Zehr: A mudança percentual é bem pequena – talvez 10%. No judô, onde se vê muitos agarramentos e tombos, você terá mais densidade nos ossos longos do tronco. No karatê e outras artes marciais onde ocorrem muitos chutes, haverá uma densidade bem maior nas pernas. O Muay Thai (kickboxing) é um ótimo exemplo. Eles sempre dão esses chutes com a tíbia. Eles tentam condicionar o corpo chutando objetos progressivamente com mais força e por mais tempo.
Sciam: E quanto ao tempo de reação?
Zehr: Há evidências de que especialistas em algo como futebol americano e hóquei têm uma habilidade aprimorada para perceber o movimento no tempo. No livro, uso o exemplo de Steve Nash arremessando a bola, mesmo que ele não possa ver onde o recebedor do passe estará. Especialistas são capazes de extrair mais informação com maior rapidez que os outros. É quase como se os seus sistemas nervosos ficassem mais eficientes.
Sciam: Como Batman conseguiria descansar o suficiente?
Zehr: A dificuldade para Batman é que ele precisa tentar dormir durante o dia. Ele ficará muito cansado, na verdade, a menos que possa realmente trocar o dia pela noite. Se fosse apenas um sujeito noturno, ele seria muito mais saudável e teria um sono bem melhor do que se continuasse a se comportar como faz hoje, que é receber alguma luz aqui e ali. Isso vai estragar seus padrões e a duração do sono.
Sciam: Combater os criminosos de Gotham todas as noites não teria seu preço?
Zehr: A parte mais irreal da forma como Batman é retratado é a natureza de seus ferimentos. Na maior parte do tempo, nos gibis e nos filmes, mesmo quando ele ganha, geralmente acaba levando uma boa surra. Há um fracasso real em mostrar o efeito cumulativo disso. No dia seguinte ele está fazendo a mesma coisa, tudo de novo. É mais provável que ele estivesse cansado e ferido.
Sciam: Há alguma indicação nos quadrinhos sobre a longevidade da carreira de Batman?
Zehr: Os gibis são realmente vagos em relação a isso, obviamente. Em “Cavaleiro das Trevas”, graphic novel de Frank Miller, vemos um Batman envelhecido voltando da aposentadoria, que aparece mais fraco e cansado. Em algum lugar entre 50 e 55 anos, ele provavelmente se aposenta. Seu desempenho está decaindo. Está sempre enfrentando adversários mais jovens. Isso é bem no fim de quando ele será capaz de se defender e não ter de lidar com aquela força letal. Isso foi mostrado em uma série animada chamada "Batman Beyond."
Sciam: Ah, sim. É o futuro; Batman está velho e treina um garoto para substituí-lo.
Zehr: Você conhece aquela série? O que aprendemos é que Batman, já mais velho, mas antes de se aposentar, realmente usou uma arma contra um malfeitor, porque precisou fazê-lo. Suas habilidades o deixaram na mão de forma que ele não foi capaz de se defender sem machucar outra pessoa. E foi aí que ele decidiu se retirar da cena.
Sciam: Como todas as surras afetaram sua longevidade?
Zehr: Lembrando que ser Batman significa nunca perder -- se você analisar eventos consecutivos onde lutadores profissionais tiveram de defender seus títulos, como Muhammad Ali, George Foreman, Ultimate Fighters –-, o período mais longo que encontrará é de cerca de dois ou três anos.
Isso de certa forma bate com a carreira média dos runningbacks (corredores do futebol americano) da NFL. É de aproximadamente três anos. (Essa é a estatística que consegui no site da Associação de Jogadores da NFL.) A questão é que não é muito longa. É muito duro se tornar Batman em primeiro lugar, e é duro se manter quando você chega lá.
Sciam: Há uma pesquisa sugerindo que concussões podem gerar depressão em jogadores da NFL. Esse poderia ser um motivo pelo qual o Cavaleiro das Trevas é tão pensativo?
Zehr: Passei por muitos quadrinhos e graphic novels e só encontrei um par de exemplos onde alguns dos golpes na cabeça de Batman tiveram o efeito de algo como uma concussão.
Na vida real, esse seria um resultado bastante provável. Ele é capaz de compensar alguns dos danos físicos à sua cabeça porque o uniforme funciona um pouco como um capacete. Mas esses golpes definitivamente somariam. Já que eles não admitem que ele tenha concussões, você não pode defini-las como a razão pela qual ele é pensativo.
Sciam: Você acha que Batman tomaria esteróides para se curar mais rapidamente?
Zehr: Não. Há um gibi onde ele tomou esteróides. Ficou um pouco louco e desistiu deles.
Sciam: Na sua opinião, quantos de nós poderiam se tornar um Batman?
Zehr: Se pegarmos a porcentagem de bilionários e multiplicarmos pela porcentagem de pessoas que se tornam atletas olímpicos, provavelmente chegaríamos a uma estimativa próxima. O ponto mais importante é o que um ser humano realmente consegue fazer. O alcance do desempenho que você pode conquistar é simplesmente enorme.
*Distribuído por "The New York Times Syndicate".
fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia
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